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A misericórdia é agir

 

   
 

Vimos como é importante o ver e o comover-se com a situação do outro no movimento da misericórdia. Mas tudo isso ainda não é suficiente. Se o movimento parar por aí, não passará de um nobre sentimentalismo que pouco vai adiantar para aliviar a situação de quem sente necessidade.

A parábola do bom samaritano nada diz sobre os sentimentos do sacerdote e do levita que, certamente, viram o homem caído à beira do caminho. O fato é que eles prosseguiram a viagem sem nada fazer pelo ferido. Talvez sussurraram uma palavra ou uma prece, mas faltou o mais importante. Já o samaritano, após ver e se comover, se deixa arrastar pelo movimento de compaixão e solidariedade. Não calcula seus possíveis prejuízos, pois o importante agora é como ajudar o outro. Ser próximo consiste em ficar perto do outro, compartilhando sua vida.

O movimento de misericórdia faz o samaritano interromper a viagem, inclinar-se sobre o desconhecido, dar-lhe toda atenção, imaginar como pode ajudar a curar as chagas com vinho e óleo, carregá-lo em seu animal até a hospedaria e cuidar dele a noite toda. No dia seguinte, ainda entrega dinheiro ao dono da hospedaria, dizendo-lhe: cuida dele, e o que gastares a mais, em meu regresso te pagarei. O compromisso fraterno não tem um ponto final. Na volta, as exigências podem continuar.

Jesus é o bom samaritano e o bom pastor. Viveu e morreu no meio do sofrimento humano e movido de misericórdia sente intensamente a situação dos mais abandonados (Mc 6,30-44), leprosos (Mt 8,1-14), cegos (Mt 20,29-34), mães e amigos enlutados. Em Jesus Cristo, Deus se aproxima de nós por amor. Jesus nos revela o amor que vê, sente e age; está presente, fala palavras de vida; cura, liberta e, sem marcar limites, dá a vida até pelos seus inimigos.

Sonhando um mundo melhor para este terceiro milênio, devemos aprender da história, unindo e reunindo pessoas, religiões e países, buscando modificar as situações que são causa estrutural do sofrimento no mundo.

Não basta falar que há sofredores à margem da história, mas é preciso unir forças e agir. A misericórdia tem olhos, coração e inteligência, como também pés e braços fraternos.

 

Buscando a luz da Palavra
Lc 10,34: “Aproximou-se dele, cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho, depois o colocou em seu próprio animal”.

Ajudando a refletir
1 _  Lembrar exemplos de compromisso libertador.
2 _  Como unir forças a serviço da justiça?


Ser próximo é estar perto do outro,
compartilhando a vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor: Pe. Manuel Eduardo Iglesias, sj