Prestamos atenção ao ver dentro do movimento que a misericórdia desencadeia. Se não vemos a realidade do outro, como vai ser possível nos interessar por ele e sair dos nossos próprios interesses?
Ver é importante, mas é apenas um primeiro passo. Ao acompanhar a parábola do bom samaritano, logo percebemos como são diferentes os olhares dele e o do sacerdote e do levita. Diante da mesma pessoa que sofre, da mesma situação, podem-se constatar atitudes diferentes:
_ Viu-o e passou adiante.
_ Viu-o e prosseguiu.
_ Viu-o e moveu-se de compaixão.
Dois olhares ficaram indiferentes. Já o olhar misericordioso sai de si, move o coração, sintoniza com o sofrimento alheio e consegue relativizar os próprios planos e interesses. Ao ver o ferido da estrada, o bom samaritano sente o sofrimento e a situação dele. Surge o desejo de estar ao seu lado e compartilhar a sua dor, fazendo o possível para aliviá-la.
Misericórdia é movimento e vida. Movimento interior que atinge as entranhas; e movimento exterior mediante gestos, passos e palavras.
Quando a Trindade contemplou o nosso mundo mergulhado no pecado e no sofrimento, comoveu-se, e o Pai enviou ao mundo seu filho unigênito. A nossa fé nos apresenta um Deus que se inclina como a mãe sobre o filho doente e quer que tenha vida em plenitude. Jesus, palavra e rosto visível do Pai, se inclina uma e outra vez sobre as pessoas que sofrem. Ele vê aquela mulher encurvada e vendo-a, chamou-a e disse... (Lc 13,12). Ele vê o paralítico, na piscina de Betsaida, e vendo-o deitado perguntou-lhe...(Jo 5,6). Jesus se retira para descansar e orar, mas, assim que desembarcou, viu uma grande multidão e, tomado de compaixão, curou os seus doentes... (Mt 14,14).
Um movimento extremamente humano e próximo está no fundo desse inclinar-se. É o movimento do amor que se esquece de si para dar atenção ao outro; é viver a comunhão de sentimentos; é respeito, carinho e solidariedade. Se esse movimento não for truncado ou freado pelo egoísmo, pode nos levar longe. Pode conduzir a se comprometer com os outros até o extremo de dar por eles a própria vida. Foi isso que Jesus fez.
Buscando a luz da Palavra
Fl 2,5: “Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus”.
Ajudando a refletir
1 _ O que sensibiliza o nosso mundo para o sofrimento humano?
2 _ Que experiências de solidariedade você encontra na Igreja e no mundo?
Jesus se inclina sobre as pessoas que sofrem.
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| Autor: Pe. Manuel Eduardo Iglesias, sj |
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